M. , Fritz Lang

Iniciar um analize do filme "M o vampiro de Dusserdolf", 1931,é decifrar a història de perseguiçao a um assassino de crianças na alemanha pré nazi.
Logo de entrada já podemos entender quem é o assassino que filme pretende denunciar. A ousadia de "M. o assassino está entre nós", (assim Fritz Lang pretendia nominar o filme, e por razoes óbivas nao foi possivel) vai muito além do que se pode dizer aqui. Só alguem com muito peito pode se atrever a abordadar essa temática numa época tao cercana ao terror que estava por vir. Em 1931 o partido nazi ja era maioria no parlamento, e em 1933 Adolf Hitler estaria no poder . A grandeza de Fritz Lang está na atitude visionária, e nao submissa frente ao monstro. Junto ao seu compromisso social de nao se calar, e em sua coragem de soltar um ultimo grito aos que estao durmindo. M. é um verdadeiro filme-denuncia feito no seu tempo, para o seu tempo, e que consegue tranceder as épocas, mantendo o impacto de sua forma e de sua temática constantes até a atualidade.
Somente os grandes filmes tem essa capacidade. Sua importancia historica e seu significado adquirem pontos bem delicados na hora de classificar uma obra dessa magnitude. Por exemplo, nao se pode dizer apenas que M é um thriller ou um film-noir, e que a fotografica de Fritz Arnold Wagner faz claras referencias ao expressinismo da década anterior, ou que a primeira experiencia de Fritz Lang com o sonoro foi criar uma atmosfera claustrofobica, contrastando ruidos e dialogos precisos para culminar em silencios reflexivos, ou tambem o desenlace do som e da imagem para traçar as transiçoes do ponto de vista. Podemos dizer muitas coisas sobre este filme, incluindo classificalo como um verdadeiro filme de guerra ou até mesmo um documentario.


Dito isto, podemos iniciar essa análize. Fritz Lang maneja o filme através saltos de ponto de vista entre distintos grupos da sociedade. Todos esses grupos expressam sua relaçao moral com a captura desse assassino que está aterrorizando a cidade. Com essa forma, o assassino em questao vai adquirindo ao longo da metragem, distinas facetas para o espectador. Para a polícia do Estado, o assassino está entre a populaçao,e assim podemos ver em inumeras sequencias onde a investigaçao da policia consiste em controlar a massa. Para a imprensa, e para o povo, o estado é submisso e incapaz de capturar e julgar o monstro.
Podemos ver no video acima, as transiçoes do ponto de vista entre algum ministerio do governo e a policia, culminando na imagem do assassino olhando-se no espelho. Em varios momentos dialogo mantém fora de campo a primera pessoa, e a imagem vai transitanto pelo que está sendo dito, assim vamos vendo as facetas das duas entidades estatais em questao.
O uso do som aqui é um grande exemplo de como um recurso basico e simples, como é o desenlace do som e da imagem, é capaz de adquirir uma força expressiva fenomenal.

Me arrisco a usar a palavra minimalista (tao de moda hoje em dia) para descrever essa primeira experiencia de Fritz Lang com o cinema sonoro, é bem notável a conciencia que tinha Lang, da fragilidade e a delicadeza desse novo artificio cinematográfico, que nascia nesse momento, nao para abusa-lo, e sim para trabalha-lo como um novo convidado de honra, e em sua primeira chegada em casa, há de ser muito bem cuidada.

Ao longo do filme nao escutamos nenhuma musica. Nos deparamos com sons muito especificos de carros, buzinas, assobios, passos, sendo introduzidos sistematicamente, e em momentos muito precisos, criando aquela atmosfera altamente controlada e claustrofobica que haviamos citado anteriormente. É bem notável ressaltar tambem, os assobios que o assassino solta antes de executar suas vitimas. Esse recurso sonoro é talvez o grande aportçao do filme, pois através dele nao vemos nenhum dos assassinatos. Cuando escutamos o assobio do monstro, nos damos conta que será o momento que entrará em açao. Um grande exemplo de como manejar o som para introduzir o fora de campo.
Em 1931 o cinema ainda nao tinha nem meio seculo de existencia, mas as bases formais da linguagem cinematografica moderna ja estavam sendo diatadas por cineastas vanguardistas e visionarios como Fritz Lang.
M. é um autentico monumento histórico, o maior filme de terror.




" As melhores ficçoes se parecem a um documentário,


Os melhores documentários se parecem a uma ficçao"












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